Guilherme Porfirio

CNPJ alfanumérico e o que muda nos seus dados

Desde 31 de julho de 2026, CNPJs novos podem ter letras. Planilhas e sistemas que tratam o CNPJ como número passam a errar.

Por Guilherme Porfirio · Atualizado em 2026-11-04

Em 30 segundos

O CNPJ alfanumérico é o novo formato da Receita Federal, que aceita letras e números nas 12 primeiras posições e começou a ser emitido em 31 de julho de 2026. Os CNPJs antigos continuam válidos. Para quem pesquisa e cruza dados de empresas, o risco está nas planilhas e sistemas que tratam o CNPJ como número.

Como é o novo formato do CNPJ?

Continua com 14 posições. As 8 primeiras formam a raiz, que identifica a empresa. As 4 seguintes identificam o estabelecimento, matriz ou filial. As duas últimas são os dígitos verificadores.

A mudança: as 12 primeiras posições podem ter letras e números. Os dois dígitos verificadores continuam só numéricos. O exemplo que a própria Receita usa é 12.ABC.345/01DE-35.

Quem recebe o CNPJ com letras?

Só inscrições novas, inclusive de filiais. A Receita gerou o primeiro CNPJ alfanumérico em 31 de julho de 2026. Empresas que já existiam mantêm o número.

Há um detalhe que confunde: a emissão é gradual. Uma empresa aberta depois dessa data pode receber tanto um CNPJ com letras quanto um só numérico, enquanto houver combinações numéricas disponíveis. Os dois formatos convivem.

O que muda nos seus dados de empresas?

Muda a chave que liga quase tudo em pesquisa de fontes abertas: o CNPJ. Ele conecta quadro societário, endereço, atividade, contratos com governo, processos e notas. Se a chave quebra, o cruzamento quebra junto.

Os pontos que mais falham:

  • Planilhas que guardam o CNPJ como número apagam zeros à esquerda e não aceitam letras.
  • Validações que só aceitam dígitos rejeitam CNPJs verdadeiros como inválidos.
  • Bancos de dados com coluna numérica não gravam o registro novo.
  • Rotinas que tiram letras para "limpar" o campo transformam um CNPJ em outro.

Como validar um CNPJ alfanumérico?

O cálculo do dígito verificador continua sendo o módulo 11, com os mesmos pesos. A diferença é que cada caractere vira um valor: o código ASCII menos 48. Os algarismos mantêm o próprio valor, a letra A vale 17, a B vale 18 e assim por diante.

Como a regra nova dá o mesmo resultado para os CNPJs só numéricos, uma única validação serve para os dois formatos.

Um cuidado: o dígito verificador só prova que o número foi bem digitado. Ele não prova que a empresa existe nem que está ativa. Para isso, só a consulta à Receita.

O CNPJ com letras facilita golpe?

Muda o tipo de atenção. Golpes com CNPJ costumam usar dados reais de empresas para parecer legítimos, e um formato que pouca gente reconhece pode ser usado para confundir.

A checagem continua a mesma: consultar o CNPJ na Receita, conferir se a razão social bate com quem recebe o pagamento e desconfiar de urgência.

O que fazer agora com as suas bases?

Três passos resolvem a maior parte do problema:

  • Revisar onde o CNPJ é guardado (planilhas, sistema de gestão, bases de prospecção) e trocar o tipo do campo para texto.
  • Atualizar a validação para a regra do ASCII menos 48.
  • Testar com o exemplo oficial da Receita antes de rodar cruzamentos grandes.

Perguntas frequentes

O CNPJ da minha empresa vai mudar?

Não. Quem já tinha inscrição mantém o número; o formato novo vale só para inscrições novas.

O CNPJ alfanumérico tem quantos caracteres?

Os mesmos 14. As 12 primeiras posições aceitam letras e números, e as duas últimas continuam numéricas.

Quando começou o CNPJ alfanumérico?

O primeiro foi gerado pela Receita Federal em 31 de julho de 2026.

A empresa paga alguma taxa pela mudança?

Não. O custo é interno, de atualizar sistemas e planilhas para ler o novo formato.

Como saber se um CNPJ com letras é verdadeiro?

Calcule o dígito verificador pela regra nova e, depois, consulte a situação cadastral na Receita. O primeiro passo pega erro de digitação; o segundo confirma a empresa.