ISS na reforma tributária e o último ano que conta
A média de ISS de 2019 a 2026 vai dividir o IBS entre os municípios de 2029 a 2077. O que a prefeitura arrecadar até 31 de dezembro conta por décadas.
Por Guilherme Porfirio · Atualizado em 2026-11-04
Em 30 segundos
Na transição da reforma tributária, parte do IBS que cada município recebe de 2029 a 2077 será dividida pela receita média de referência, calculada com o ISS e a cota-parte do ICMS de 2019 a 2026. Arrecadação baixa ou mal registrada nesse período reduz a fatia da prefeitura por décadas.
O que muda para os municípios com a reforma tributária?
O ISS, imposto municipal sobre serviços, será substituído pelo IBS, imposto compartilhado entre estados e municípios e administrado pelo Comitê Gestor do IBS. A mudança é gradual.
Em 2027 a CBS federal começa a ser cobrada, e o IBS segue com alíquota simbólica. Entre 2029 e 2032 o ISS vai sendo reduzido, até a extinção em 2033.
O que é a receita média de referência?
É a régua que define a fatia de cada município na transição. A Lei Complementar 227/2026 prevê que, de 2029 a 2077, parte do IBS seja retida e distribuída na proporção da receita média de referência de cada ente.
Para os municípios, essa média considera o ISS e a cota-parte do ICMS de 2019 a 2026, com valores atualizados. Entram também o ISS do Simples Nacional e o da dívida ativa.
Por que 2026 é o último ano que conta?
Porque é o último ano que entra na média. Em 31 de dezembro, o histórico fecha.
Cada real de ISS que a prefeitura deixa de cobrar em 2026, por cadastro desatualizado, sonegação não identificada ou dívida não executada, sai da média que pesa na partilha por décadas. E, como a distribuição é proporcional, o município que arrecadou mal perde fatia para os que arrecadaram bem.
Por que os dados fiscais do município precisam estar corretos?
Porque a apuração usa o que o município declarou. O Comitê Gestor do IBS deve usar o Siconfi, sistema de informações contábeis e fiscais do setor público, entre outras fontes.
Receita lançada na conta errada ou declaração incompleta pode reduzir a média. O coeficiente de cada ente será divulgado em 2027, com prazo para contestação, mas conferir a série de 2019 a 2026 agora custa menos do que contestar depois.
Como a inteligência artificial ajuda a prefeitura nessa transição?
Em três frentes:
- Fiscalização do ISS: cruzar notas fiscais de serviço, cadastro e declarações para achar quem deveria pagar e não paga.
- Dívida ativa: priorizar a cobrança pelos devedores com maior chance de pagar.
- Conferência de dados: revisar a série histórica declarada e apontar inconsistências antes da apuração.
Belo Horizonte, por exemplo, já usa IA na auditoria de notas fiscais de serviços.
O que a prefeitura deve fazer até o fim do ano?
- Revisar o cadastro de prestadores de serviço e a emissão de notas.
- Intensificar a cobrança do ISS em aberto e da dívida ativa.
- Conferir a série de 2019 a 2026 enviada ao Siconfi.
- No orçamento de 2027, seguir a orientação da CNM: prever o IBS separadamente, sem reduzir a previsão do ISS, que continua vigente.
Perguntas frequentes
O ISS vai acabar?
Vai, aos poucos. Ele é reduzido entre 2029 e 2032 e deixa de existir em 2033, substituído pelo IBS.
Quais anos contam para a receita média de referência?
De 2019 a 2026, com valores atualizados, considerando o ISS e a cota-parte do ICMS.
Município pequeno ganha ou perde com a reforma tributária?
Depende do caso. Análises apontam que municípios com base tributária menor tendem a ganhar proporcionalmente, mas cada prefeitura precisa fazer a própria conta.
A prefeitura pode contestar o coeficiente do IBS?
Pode. Após a divulgação, prevista para 2027, há prazo para contestar divergências junto ao Comitê Gestor.
Ainda dá tempo de aumentar a arrecadação de 2026?
O prazo é curto, mas cobrança de ISS em aberto e de dívida ativa ainda contam se entrarem até o fim do ano.